Quem fez, fez. O ano está em seu último terço e o hemisfério sul se prepara para sua temporada de verão e temporada insana de shows e eventos. Teremos, mais uma vez, um super novembro, mas a animação já começa agora, com mais uma edição do Rock In Rio e as vindouras análises sobre o evento, conteúdo digital e marketing.
Nós, equipe da 300Noise, seguimos cansados e um tanto quanto atarefados. Estamos terminando um novo projeto aqui em nosso Quartel General, recomendamos um pouco de atenção em nossas próximas postagens.
Se você está lendo esse material pela primeira vez, ou se já nos acompanha por aqui faz tempo, recomendamos um apoio adicional ao nosso trabalho nessa plataforma:
Uma rapidinha pelo mundo da música
Escutaram isso? Esse som estridente que percorreu os céus foi uma timbrada da corneta do apocalipse. O tridente da indústria musical (Warner, Sony e Universal) acabaram de injetar quase 80 milhões de dólares na Stability, empresa de Inteligência Artificial que, meses atrás, estava sendo processada por essas mesmíssimas gravadoras.
Se quiser refletir, o valor injetado pelas majors em I.A é quatro vezes maior do que o montante arrecadado por Olivia Rodrigo em seu Daisy Chain Fields, festival beneficente que ocorreu no último final de semana trazendo um lineup finíssimo e 100% composto de mulheres. O mais legal? O festival discutiu abertamente temas urgentíssimos dentro da política estadunidense, como a garantia do direito ao aborto e planejamento familiar, acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade, equidade econômica e violência de gênero. Todo o lucro foi doado igualitariamente para 10 ONGs que trabalham nesses campos.
No Brasil, agorinha, agorinha, tivemos um evento emblemático. Fandoms dos mais variados artistas se sentaram junto ao Presidente Lula para a discussão de novas diretrizes para o setor de eventos musicais. Em um momento em que ‘superfan’ se tornou o termo-tendência para agências publicitárias, poucos conseguiram compreender o papel dos agentes dessas comunidades para pautar discussões e monitorar o ecossistema da música. Em breve, talvez, veja só, apenas talvez, a gente tenha algo a dizer sobre isso… rs
Tópicos abordados nos dois decretos assinados:
Ingresso: Obrigatoriedade de mecanismos contra robôs de compra e transferência gratuita de titularidade pela plataforma oficial.
Revenda: Identificação clara de preços originais de face e suspensão de anúncios abusivos de cambistas digitais.
Preços: Exibição de todas as taxas e encargos desde o início da navegação, proibindo cobranças ocultas ou automáticas.
Meia-entrada: Proibição de barreiras cadastrais excessivas e obrigatoriedade de comprovação do percentual legal destinado ao benefício.
Cancelamentos: Garantia do direito de arrependimento e opção de reembolso integral, crédito ou nova data em caso de alteração.
Água: Fornecimento gratuito de água potável em pontos de distribuição e permissão de entrada com garrafas de uso pessoal em eventos com mais de mil pessoas.
Essa semana começa mais uma edição do Rock In Rio. Aos que estarão presentes no festival, recomendamos um planejamento mais cuidadoso, parece que teremos variações de temperatura um pouco atípicas ao longo da semana. A arena de publicidade do evento terá ao menos 100 ativações de marcas e você pode ver nossa opinião sobre isso aqui
Honestidade não vai salvar a música das IAs
Por: Geoleria
Já estamos na era das IAs dentro da indústria da música. Em um estudo recente feito pela SubmitHub, 38.5 % das músicas lançadas em junho de 2026 foram criadas com algum tipo de auxílio de inteligência artificial.
Apesar deste dado ainda ter uma baixa precisão, já que as ferramentas para identificar músicas com IA ainda estão sendo aprimoradas, a realidade é que a presença começa a ser sentida onde há o maior poder e fragilidade das plataformas de streaming: seu funcionamento econômico
Tomada isoladamente, o uso de qualquer tecnologia não representa um problema. O que está em jogo não é a pureza humana na produção da música, mas questões econômicas e materiais ligadas à distribuição dos frutos do trabalho artístico entre as plataformas, gravadoras, distribuidores e os músicos.
As plataformas de streaming obrigam uma competição entre os artistas e seus lançamentos pela atenção dos usuários, quem consegue mais audiência recebe uma fatia maior dos pagamentos. O problema é que o número de usuários das plataformas de streaming cresceu 58% entre 2022 e 2025 (450mi em 2022 e 750mi em 2025), mas o tamanho do acervo saltou 150% (100mi em 2022 e 250mi em 2025).
É um cálculo relativamente simples: como normalmente não há uma mudança significativa no tempo que os usuários ouvindo música nos aplicativos de streaming, quanto maior é a proporção de músicas por usuários, maior é a competição pela atenção. Algo que fica ainda mais crítico quando consideramos que IA pode criar milhares de músicas no periodo que um artista produziria 1.
Jason Grishkoff, o fundador da SubmitHub insistiu que a solução caminha pela transparência. “As pessoas devem ser capazes de decidir por si mesmas se querem ou não ouvir música gerada por IA. Nosso papel é fornecer informações suficientes para que elas façam essa escolha.”. O problema é que isso não resolve as principais causas para essa explosão de músicas por inteligência artificial.
As pessoas não consomem música por inteligência artificial por querer. Nas propagandas e nas recomendações feitas pelos algoritmos dessas próprias plataformas essas músicas são usadas sem consentimento, como formas de cortar custos ou até, como falamos em nosso podcast sobre artistas fantasmas, maneira de explorar o sistema de recomendações para ter vantagens na disputa pela atenção dos usuários, com indícios de uso desses recursos para lavar dinheiro do crime organizado.
Ainda que esses resultados de crescimento da produção de músicas por inteligência artificial não é uma escolha direta dos envolvidos nas decisões dessas plataformas, ele é uma consequência direta de suas próprias escolhas administrativas, já que desde de 2023, no momento em que as IAs começam a ganhar capacidade mascarar suas produções como humanas, eles demitiram quase um quarto de sua força de trabalho.
Essa fala da SummitHub esconde uma escolha política tomada sem nenhum controle democrático ou público: aceitar todo o arcabouço das plataformas de streaming como parte natural da indústria da música. O problema atual com as músicas com inteligência artificial só existe porque as plataformas partem da lógica da competição entre músicas através dos algoritmos, o que incentiva o upload do máximo possível de músicas no menor tempo possível e justifica a presença de músicas de IA em massa, e pela sua política de corte de funcionários e presença humana na seleção de músicas dentro da plataforma.
SAIA DO INSTAGRAM E VÁ:
“A little bit punk, a little bit country”: A estreia de Amyl and the Sniffers nos cinemas
por: Vitória Antunes (@avitoriantunes)
No estilo honky tonk, a banda Amyl and the Sniffers trouxe sessões do filme-concerto “Truth or Consequence” aos cinemas brasileiros no último final de semana. Em um de seus méritos, o filme devolve ao country aquilo que a associação ao conservadorismo e o fundamentalismo religioso distanciou do gênero: a atitude irreverente, inventiva e bem humorada que Amyl sempre carregou consigo.
“A little bit punk, a little bit country”, nova faixa que estreia na apresentação, carrega mais que o título de uma nova música, mas também o caminho que guia todos os minutos de tela. Mais que versões country de músicas autorais do Amyl And The Sniffers, o filme pensa e confronta em detalhes que conversam com o que o gênero representa atualmente, seja nas citações e no visual a la Dolly Parton, uma referência clara para Amy Taylor, até o figurino que brinca com o misticismo bíblico de Adão e Eva, a cobra, a maçã e a proibição dos desejos instintivos.
Entre uma sequência de performances e outra, o filme se concentra em aproximar os fãs com os bastidores do convívio da banda entre zoeiras, dancinhas e side quests dos integrantes. Mais que a preocupação do caráter documental, o projeto também é um destaque quando o assunto é cruzar fronteiras.
“Truth or Consequence” molhou a ponta dos pés para além do circuito óbvio dos cinemas da Austrália, Europa e Estados Unidos, chegando ao Brasil, mas deixando de lado países como México, fundamental para a narrativa do projeto que celebra o ritmo que nasceu na fronteira do país, e é ignorado no discurso estadunidense nacionalista do country. No entanto, ainda é louvável que uma banda com níveis de projeção consideravelmente menores que Turnstile, que não trouxe as transmissões do álbum visual de Never Enough para países de fora do norte global, se faça presente na agenda cultural de uma cidade latino-americana.
“Truth or Consequence” chega aos streamings na próxima sexta-feira, 4 de setembro, com duas faixas exclusivas.
ENTREVISTAS COM LUA VIANA E ALEXANDRE BAZZAN.
Quem está pensando a cena de música alternativa em São Paulo.
Após alguns anos de hiato nosso podcast Tempo Quebrado voltou a ativa.
No começo do mês tivemos o primeiro episódio da nova temporada, com uma conversa com Lua Viana, criadora da banda Antropoceno, Sonhos Tomam Conta e DJ URUTAU, sobre politização da cena alternativa e a infiltração dela por grupos de direita.
Na semana passada lançamos o segundo episódio entrevistando o jornalista Alexandre Bazzan, criador do Mapa da Música Autoral.
Apesar de temas diferentes com personagens da música alternativa de São Paulo que têm práticas e pensamentos muito diferentes, os episódios levantam um questionamento óbvio: como eles se comparam com o nível de debate que existe nessa cena de bandas de rock triste/rock alternativo?
A triste conclusão é que a cena atual não consegue fazer autocrítica e não consegue se engajar em ações mais complexas que envolvam alguma dimensão mais coletiva.
Daí sobra outra pergunta: se não debatemos coletivamente assuntos como a desigualdade cultural na cidade e a infiltração da extrema direita, onde ele está sendo debatido? O que está sendo debatido? Quem está participando dessa conversa? Mas essas perguntas ficam para outra reflexão.
Em setembro, temos mais duas entrevistas: Machi7k e Biana. Caso você tenha alguma sugestão de convidado comente abaixo.
Você pode ouvir aqui no Substack, ou aqui:
Vá acessar o site da 300noise (ok, você talvez precise do celular para isso, mas segue o baile!)
Nosso site está de cara nova e tem um apanhado de materiais nossos para download. Você pode se divertir explorando nossas pesquisas. Agradecemos ao nosso mestre dos computers G.G. pelo trabalho e esforço no projeto. www.300noise.com.br
Comprar um merch:
Foi mal a publi, precisamos pagar as contas e olha que curioso, temos roupitchas maravilhosas em queima de estoque da última coleção porque logo mais vem a próxima (sem spoilers).
Dá uma olhada na nossa lojinha. Tem produtos com até 42% off, como dizem os shoppings.
OUVIR UM SOM
Denzel Curry & Kenneth Blume - II
Denzel Curry e Kenny Beats (agora conhecido como Kenneth Blume) entregam a segunda parte da colaboração iniciada em 2020 com Unlocked. Ambos continuam ostentando um incrível entrosamento; parece que os beats são perfeitamente recortados para as rimas afiada de Denzel. As escolhas dos samples são bem interessantes, lembrando um pouco a série Special Herbs, do consagrado MF DOOM, ao passo que a produção faz a gente compreender exatamente o propósito de cada elemento na música. A depender do seu nível de exigência com as composições, as rimas por vezes podem soar um pouco qualquer coisa, todavia nada que comprometa a experiência. Há faixas empolgantes e instigantes o bastante para valer o play.
DJ URUTAU – Ornitofagia
Se alguém te mandasse um álbum novo usando sons de pássaros para fazer funk bruxaria talvez você não dê muita atenção, mas, Lua Viana, que entrevistamos no começo do mês no Tempo Quebrado, fez justamente isso para lançar seu novo alter ego DJ URUTAU. O álbum arrebenta qualquer preconceito com essa escolha estética, já que a diversidade de sons e ritmos que a fauna brasileira possui, realmente combina com o funk.
Erykah Badu e The Alchemist - Before The World Blows
Uma das maiores colaborações entre artistas esse ano. O álbum consegue dar conta de todos os trejeitos que fazem Erykah Badu ser tão boa adaptando sua linguagem dentro da produção genial do Alchemist. O trabalho possui momentos muito densos, com uma lapidação incrível de samples.
King Gizzard and The Lizard Wizard - Alien Metal
A parte mais legal de acompanhar a carreira do King Gizzard é como eles não têm medo de explorar diferentes gêneros e estéticas. Em mais um capítulo da fase eletrônica maluca alienígena, os australianos passeiam pelas melodias robóticas e batidas aceleradas do trance. A proposta é simples e muito bem executada, constituindo uma verdadeira pista de dança intergaláctica.
Mastodon - Marrow Deep
É revigorante ver uma banda já de muitos anos de carreira conseguir fazer um álbum empolgante e com uma enorme entrega emocional. Ninguém jamais duvidou da qualidade dos músicos do Mastodon, mas, desde The Hunter, o grupo vinha encontrando uma certa dificuldade em explorar novas ideias. Marrow Deep é o resultado de uma série de perdas e lutos vivenciados pela formação nos últimos anos, como a morte do guitarrista Brent Hinds e da mãe do baterista Brann Dailor. Sonoramente, as canções resgatam bastante a atmosfera progressiva do início da carreira, com longas passagens instrumentais acompanhadas por ritmos hipnóticos, riffs sujos e letras que transitam entre o sentimental e o surreal. É legal perceber que os integrantes novos, a exemplo do tecladista brasileiro João Nogueira, contribuíram bastante para as composições; o teclado que era um elemento pontual nos últimos trabalhos, agora ganha importância e protagonismo na sonoridade, dando aquela vibe bem anos 70. Trata-se, talvez, do melhor álbum do Mastodon em anos, por todo contexto envolvendo sua produção, mas também por saber revisitar elementos do passado de modo criativo para que tenha sentido na formação atual.
Nia Archives - Emotional Junglist
Eu sei que você quer voltar para os anos 90. No entanto, você também não está buscando um som revival genérico. Você quer algo retrô sem ser vazio, e eu tenho o método para isso. Coloque para rodar este álbum aqui. A britânica Nia Archives já vem construindo sua carreira em manter o espírito das raves do Reino Unido vivo. Em vez de se ater ao convencional do drum ‘n’ bass, jungle e garage, ela vai além, mesclando tropos eletrônicos com sensuais melodias pop e empolgantes levadinhas de post-punk. Nia nos convida a reviver uma década tão criativa e importante para música eletrônica, todavia sem nos deixar cair em falsas nostalgias.
Papangu - Celestial
É muito bom ver o Papangu estar no patamar das bandas mais importantes e relevantes da música brasileira. Este álbum possivelmente é o ponto mais alto do grupo até o momento, por mais difícil que seja categorizar uma discografia tão sólida. Bem mais puxado para uma sonoridade psicodélica e progressiva, a banda não abandona nada do seu estilo e da sua personalidade. É uma união perfeita entre tudo que eles já fizeram.
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“Jota Quest & Tim Maia — Dance Enquanto É Tempo”
Na última semana, fomos convidados pela Dolby para conferir o novo disco do Jota Quest em Dolby Atmos. Uma experiência finíssima que contou com um papo bem legal com a banda e uma contextualização sobre a seleção que consta no trabalho. É praticamente impossível alguém ter passado a vida sem conhecer algo do Jota Quest ou algo do Tim Maia. Nesse caso, recomendamos uma audição!
S.A.C. da 300Noise:
Perguntas enviadas por vocês para a nossa equipe. Críticas, sugestões, dúvidas e tudo mais. Envie sua pergunta agora mesmo!
Como faço para colaborar com a 300Noise?
R: mande sua proposta aqui mesmo, ou em nosso e-mail: 300noise@gmail.com
Vocês aceitam envio de material de bandas? Qual a melhor maneira de enviar?
R: Utilizamos o Groover para receber material e oferecemos consultorias e outros trampos. Quer a visão da 300Noise em seu projeto? Entre em contato no 300noise@gmail.com
Onde acesso os projetos da 300noise?
Qual o próximo projeto e pesquisa de vocês?
R: Precisamos de férias!!!
Quer dizer que você trabalham com consultoria e pesquisa para bandas ou empresas?
R: Sim, estamos operando em várias frentes. 300conteúdos, 300empresas, 300festas e em breve 300pendrives (ok, esse é brincadeira!) Quer entender melhor o que oferecemos? Quer contratar a 300noise? Mande um email para 300noise@gmail.com
Nos vemos em breve…
xoxo












Rock rock
onde posso escutar o podcast fora do spotify e do substack? tem algum feed RSS que eu possa assinar?